sábado, 17 de julho de 2010

debochando da dor

Já iam elas, fracas
Pequenas, melancólicas, com risos disfarçados
Debochando da dor, com cor, com sabor

Perguntavam-se o por quê de tanto tato, contato
Por que agradar as gentes externas?
Viver para dinheiros, para dois dias numa semana de sete

Viver para vidas que constroem para nós
Sem deixar que nós construamos as nossas próprias
Propriedades

Dormir cedo, acordar cedo, faxina, submissões
Começar vida de gentes já grandes
Universo da universidade está já ficando atrás

O mundo onde o mundo foi aberto
Os olhos que suportam o mundo, tu-dum
São tantas as pessoas, as musgas, os barulhos

Há balões grandões
Para nos puxar
Gravuras e gostos

.

Pavane for a dead Princess

A musga que tocou a menina com a máquina que talvez fosse fotográfica:

http://www.youtube.com/watch?v=h58on_tsU0Y&feature=related

por Queta
Ah, o que é
Por quê?

Decisões, vidas crescidas
Tem já de ser maduras
Mas, por que isso de ter?

Estamos aí, em fases de curas
Em fases de saudades
De querer não reviver
De querer não pensar

Lembranças
Já não lembramos
Lembramos

Criamos planos
Planos de posturas, de ações
Para como num gole, esquecer

Vida vem
Vem vida
Vem ida
Bem vida
Bem vinda

Ah, por que isso de coração?
Existe a mente que pensa, imensa, imersa
Não coração

Há mente traiçoeira
Que entra com memórias
Como um ladrão invadindo - não ocupando
A casa

Foi e não é
Paramos de ouvir música clássica
E de ver gentes engravatadas
Pomos esperanças no setembro

Setembro passará, sem notícias
Mas setembro, apenas desespero
Por afetos, por tetos seguros na casa

Do outro lado da rua alguém volta o olhar seco
Para a casa
E lembra, de forma já quase esquecida, que frequentava
E que era quase tijolo

Ponto final
.
Ponto para bordar e enfeitar
Despedidas são risonhas
Inícios podem ser chorosos


por Queta

quarta-feira, 14 de julho de 2010

um conto cantado

Entre um ano e outro, 365 dias. Neste intervalo, ensaios para o festival que acontece sempre no mês de julho. Ocasião onde se reúnem aprendizes e professores da música e da dança em um só espaço, o cultural. É o grande dia.

Ele, violoncelista e filho de uma grande musicista, apesar de muito novo (19) já estava habituado a rotina orquestra-ensaio-casamentos-apresentações e afins. Ela, com seus vinte anos cravados e apenas alguns meses de aulas de violão, não. Mas gostava dos bastidores, de ver a evolução dos seus amigos e colegas. Fosse para ficar mais perto dele, fosse para tranquilizar uma iniciante um pouco mais corajosa: sua amiga bailarina.

Para legitimar a presença da primeira nas coxias, uma máquina. Sempre que necessário optava por fotografar as apresentações. Dele, principalmente. O músico e seu namorado há mais de dois festivais. Da amiga que baila, seria a primeira vez. Pelo menos em um palco grande como aquele. Por isso, a pequena estava feliz em poder fotografar a apresentação daquela noite. Feliz, mas distante.

As coisas haviam mudado desde o último festival. Ela havia aprendido a fotografar, ganhou uma máquina nova e entrou nas aulas de violão - por incentivo dele. Ele, por sua vez, foi ficando cada vez mais distante. A amiga bailarina havia percebido isso. No grande dia, na última prova de roupas, onde a menina e sua máquina - de tão pequenas, conseguiram passar despercebidas elas conversaram sobre isso. Havia uma violinista de bonitas tranças querendo entrar na história, ela dizia.

No bastidor do primeiro grande momento, se via: a menina estava lá, com câmera e coração nas mãos, ao chorar ao som de * alguma "música de orquestra", observando não a orquestra jovem se apresentar, mas o violoncelista a tocar em total silêncio – para ela. A bailarina, ao se apresentar pouco depois da orquestra sai do palco procurando a amiga. Não a encontra.

Nasce outro dia. O 365º depois desse. Dia de sol. Vê-se um apartamento cheio de fotografias espalhadas pelas paredes, mesas e outros móveis. Lugares bonitos, pessoas de cores, tamanhos e sorrisos bem diferentes uns dos outros. A menina, ainda pequena, mas um tanto mais madura, circula pelo corredor. Pega a chave do carro e sai. O violão fica na sala. Já é noite.

Estão eles, quase todos, mais uma vez na coxia do teatro do espaço (cultural). A bailarina, o violoncelista e os outros já nem tão iniciantes. Entre eles, a violinista. A primeira dá uma espiadinha e vê a plateia, que permanece com uma cadeira vaga logo na primeira fila, a da amiga. Esta atende seu telefone enquanto dirige e diz “estou chegando” com sorriso no rosto. O festival acaba e vemos a bailarina se despedindo do violoncelista e da violinista, que andam de mãos dadas, enquanto liga para alguém.

Vê-se a amiga de costas em uma varanda escura, com o celular na mão, falando: “Não pude, tentei te avisar. Este de agora me beija bem no meio das costas e cozinha só para mim. Nunca tive isso e não pude evitar”. Silêncio. “Entenda, com este eu fico alegre e com vontade de dançar. De uma maneira que violoncelo nenhum conseguiu deixar”. Minutos depois, no escuro da varanda, o celular da “fotógrafa” se acende com uma mensagem de texto que diz: então aproveite, que este é o teu melhor espetáculo.


Falda

quinta-feira, 1 de julho de 2010

zuiu zuiu, zuiu zuiu

buenos, buenas
que sea, que seas
luz del día
dulce
...

guia
pro ano todo

abril abriu o sol de novo
maio nublou
junho choveu
invernoso osso?
osso!

primeiro de julho
será dulce?

até então, saudade

dele, dela
de quando o vinho de praça falava de graça
da volta merecida de quem gostava de passear no banco de tras
beatles em chorinho
bob marley na carona de manhã cedo (muito sol e riso(l))
as melhores ciosas do mundo no cinema (voz e violão)

não quis - não sabe - não viu
não dói importa atormenta não aparece não está aqui,
alice...

lembrei que quando você ficava triste, realmente triste, você vinha aqui nesse lugar do parque. você gostava de ficar aqui
dá pra sentir a paz, você dizia

agora eu to aqui
mas você não
nem a paz



a poesia do dia aos poucos
entre noel e zuiu zuiu
entre chuva e centro
rosa, renata
lira, soraia
alice

querendo
sambar desde já
rua da ladeira, fazer fumaça
o mundo mais largo
olhos atentos
instiga
faxina
retrato em branco em preto - mais um soneto - um dragão - santa chuva - o povo já se cansou - cartola - deixa pra lá - amanha será melhor - roupa de domingo e pode esquecer - que essa vida um dia muda - se a cantiga ja te pega - pata pata - deixa eu dizer - sem retrato e sem bilhete

alguém entende?

uma máquina de escrever na folha da solidão
é só bater pra entrar nessa história
era gutemberg, meu coração se (ergue) ?
país das maravilhas x estranho planeta

with a little help from my friends
acordes acordados, desacordados
garota de ipanema na gaita imaginári@
pegá-lo na saída
* as lembranças são uma prisão?
"a gente não se sente sozinha com uma boa leitura", piauí
esticar os braços sem invadir a liberdade alheia
doendo por duas vezes? logo passa, passa logo!
o mundo tá esperando... as musgas, os filmes, os docs também
* como é que a gente faz para castigar quem não se arrepende?
maxaxi da boa preguiça na falda
do oldo

pra rir um monte
a inveja dos anjos, trupizupi!

e entre tantas
ficar em paz

chorava todo mundo, mas (daqui a pouco) "agora" ninguém chora mais!


é vez de falar da vida, do sol, dos sentimentos
se chover? na sala preta (e zuiu zuiu) !

a gosto
set embro
out ubro
nov embro
dez?

(l)embremos:

"sorriso custa menos que eletricidade e dá mais luz"


(:


falda