domingo, 12 de dezembro de 2010

Amizade cheia de cores

Amizade é dividir.

Dividir histórias, memórias, momentos - bons e ruins, sonhos, tristezas e risos. É fazer planos, é dançar cantando, é andar pulando é viver tentando fazer com que os momentos em "comjunto" sejam os melhores.

É, por exemplo, rir solto - achando que não pode haver melhor sensação de bem estar no mundo. De ter encontrado um bom lugar e boas companhias para dividir as impressões que la (Dulce?) vita nos deixa. É a vontade de se vingar dos meninos ruins/malvados sendo cada vez melhores. É desejar ser canalha, ao invés de perdigueira, de vez em quando.



Amizade é se emocionar de madrugada, morrendo de sono, enquanto vê um vídeo de Janis Joplin que a amiga mandou. É querer ser Gal Costa e convidar a outra pra ser Bethânia. É querer ser menina, mas é também querer ser grande, forte e independente das pessoas e das tristezas que tentam nos pegar em cada esquina.

É imaginar-se em fotos em preto e branco, com o charme da época e das pessoas retratadas, como se fossemos daquele jeito e com aquele espírito. É ver-se nos vídeos noturnos de 67, gritando para os chicos e caetanos novos, com violas partidas ao meio e jogadas no público vaiador ou pedidas por Edu Lobo, para cantar.

Porque não? Alegria, alegria! Amizade é gritar pelo e para o que se gosta, com óculos maiores, sorrisos melhores e lenços nos cabelos sem documentos.

É não esquecer quem é sua vizinha de bairro, coração de bairro, primeira. É não esquecer os puxões, de estímulo e de orelha; não esquecer o caderninho de páginas coloridas e principalmente do céu azul cheio de nuvens de janeiro. As conversas de banco e de ônibus. O sófalar, o “vempracá” e a companhia no banco de trás do carro nos passeios musicais noturnos.



É conhecer uma nova menina, de outro bairro amigo, com uma laje ainda desconhecida, mas desde já bem querida. É dançar coco, ao som de forró, nos trilhos do trem. É prezar pelo consenso na hora de comprar o pipos, de ver os shows, os filmes, os paqueras e até as ruas pelas quais voltaremos pra casa. É perder os celulares, mas recuperar o humor antes deles voltarem.



É andar de ônibus, de balsa e de alternativo – ao invés de trem – aproveitando a vista e planejando a viagem pra Bolívia. É transportar as vontades através de cada transporte. É vontade de aprender a fotografar só para pegar um trem com destino a cabedelo e ao forte velho, tão novo. É a vontade de pegar um ônibus, com destino ao centro histórico e poder finalmente explorar lugares, que nos agradam, ao redor dos trilhos, perto do rio. É guardar os dinheiros pensando no avião que nos carregará pros países vizinhos.

É querer fantasiar a outra – de Janis, de Colombina, de Pin Up, de Doces Bárbaros ou Mutantes com um coração desenhado embaixo do olho - só por brincadeira, só por cartografia do riso, de fantasiar um ensaio fotoengraçado. É promessa de morar junto em Recife ou qualquer lugar que nos agrade, além das promessas de karaokê na Lagoa, de vida ida pro sertão e pros sítios dos avôs dos amigos maiores e por aí vai...

É desejar algo maior, algo melhor, que nos satisfaça de algum jeito. Que nos traga sentido, energia, calor e amor, se existir esse bichinho. É fechar os olhos e ver algo melhor, sentir que chega a nossa hora. Um dia, nosso carnaval pelas ladeiras, com o bloco posto na rua ladeira à cima e abaixo... e a folia a nos bater os dias.



É querer cantar, remexer, rebolar, fantasiar, criar, escrever, poetizar, esperar, achar, pensar e repensar até cansar pra descansar e começar tudo de novo. Lembrar-se dos dias bons e esperar com ansiedade pelos próximos, contando com bons papos, boa música e uma animação própria de meninas pequenas espevitadas que pulam feito pipoca e correm de mãos dadas por ai. Sem esquecer, é claro, do valor das outras companhias de gente, bebidas-cervejas! e objetos que nos dão bom dia – livros e canecas, bicicletas...

E principalmente das cores, seja pra pintar os lábios ou pintar o céu da nossa imaginação azulamareloesverdeada!



Um beijo roxolilás pras senhor@s (isa-queta e cybele-fellini) ;*!

falda

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A amizade, o sexo, o verdadeiro amor

Na era da tela total somos - de algum modo - impelidos a ver tudo, varrer a corporeidade dos seres imaginários do cinema como um check-up, como uma endoscopia. Se todas as maneiras de amar valem à pena, nem todos os olhares midiatizados valem à pena. Se existe uma arte audiovisual de excelência com o poder de nos fazer mais plenos com relação a uma aproximação do objeto do desejo, esta deve nos conceder os privilégios de imaginar todas as sensações, emoções e sentimentos através das imagens e sons que nos propiciam. Além da mera visibilidade de um suposto objeto do desejo, a sensibilidade técnica do cinema precisaria nos instigar a uma imaginação do sabor, do cheiro e da tactilidade; mais do que isso, precisaria nos liberar da pesada materialidade corpórea, sem nos livrar das sensações do toque, do prazer da pele e do corpo, deste presumido objeto de desejo, que no fundo não passa de uma estranha extensão de nós mesmos.

[...]

Deslocamo-nos para o terreno memorável do “instante eterno”, em que as
“amizades particulares” brilham como breves lampejos da eternidade, como se ali
estivesse inscrito o grande enigma dos afetos, da amizade e do verdadeiro amor.
Essas experiências, que parecem acontecer uma única vez na vida, podem ser
atualizadas sob o signo de um outro objeto do desejo, e o cinema possui a faculdade
estética de simular as suas repetições de maneira fascinante, necessária e fundamental.

[...]

Então, talvez seja necessária uma arte radical concebida por espíritos livres dos valores morais [..]

Cláudio Cardoso Paiva

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A cordialidade em pessoa: patigo ou simplismente "tio"


A dor da gente não sai no jornal

19/10/10


Não era Raul, nem Renato, nem John o seu nome.


Não tocava blues, nem dançava tango. Acho que nem conhecia Django, mas ainda assim era um cara massa.


Entre creedence e shocking blue, passávamos (eu e as meninas) tardes/horas a fio fingindo que estudávamos em sua casa, durante o ensino 'médio'...


De camisa pólo e blue jeans no trabalho, ou de bermuda e/ou cueca em casa (fazendo Jussa gritar 'Tiiiiio'!) , era só o riso e a barba que se via e a cordialidade que se sentia, claro.


Achava graça quando aquele ‘coroa’ chegava dizendo: “ô mayrinha, você tem que vir mais vezes aqui”, “sabe, né? sempre bem vinda!” e começava a falar do lugar de honra que ela dizia ter para cada uma de nós, amigas da nega.


Às vezes, eu sentia que ele era capaz de fazer qualquer coisa/esforço/gentileza para que a gente se sentisse bem naquele apartamento. E só ele que não percebia que isso nem era preciso, porque ser paparicada por ele já bastava pra nos sentirmos queridas naquele lugar. Com piadas e afetos, ele foi adotando as amigas das filhas. Agora, boas são as lembranças que ficam.


Do riso estampado na cara, do cabimento dado especificamente a Jussara e a todas nossas palhaçadas, são as melhores. Daí vem essa situação inesperada e quando menos percebemos estávamos todas lá, rodeando o patigo (pai, tio e amigo), que por sua vez estava rodeado de flores brancas. Sem barba, sem bigode, sem sorriso aberto. Arriscava dizer ali que não era ele. Pelo menos, não mais. Ali estava em paz, apenas.


Com a gente ficam as lembranças da liberdade concedida, da bagunça consentida e da músicas concebidas no som da sala. O Renato e seus Blue Caps antes dos filmes, os ‘besouros’ ingleses, Os Incríveis, os Rolling Stones que ele tanto gostava... os, os, os e as. As interrupções no meio das conversas e dos estudos de tarde inteira, as "assoviadas" que tanto irritavam Ananda, no final não atrapalhavam nada.


Todas nós ganhamos no decorrer desses sete anos de convivência um tio massa, camarada, ‘mó’ boa praça, gente fina e papo firme – e frouxo ao mesmo tempo, na cozinha, na escada, na sala de estar jantar corredor... À vontade ou um pouco aflito, um também “pai amigo”, da nega (Ananda), que brigava e amava, com ele, por ele, ele! Porque raça boa para sentir bons sentimentos é essa e ela teve a quem puxar!


Particularmente, o bom gosto musical do tio acabou fazendo parte do meu crescimento, o que hoje pra mim é sofrimento logo que não imagino ouvir aqueles rocks de paizão sem lembrar dele. Gostaria apenas de dizer: “Valeu, tio. Por tudo! Pelo cabimento-carinho-atenção, pelas musicas, pelas belas filhas” e garantir: “Podeixar que a gente vai cuidar bem desses brotos aqui, precisa nem pedir”.


Fica então isto escrito, aqui e no papel dobrado daquele envelope laranja que foi beijado e colocado junto com as flores que marcaram a sua despedida. Pra dizer basicamente isso: um dos caras-coroas que eu mais curtia nessa vida morreu e essa dor não sai no jornal. Por isso, a cria jornalística daquele lugar tentou retratar aqui a sua vontade, maior do que nunca de ir embora pra Pasargada. Porque lá eu era amiga do rei.


Agora, aqui eu não sou feliz. Que Manoel Bandeira nos ajude, pra que nessa fase triste, “triste de não ter jeito”, a gente se lembre que lá... éramos amigo do rei!


sábado, 18 de setembro de 2010

Texto Bobo


Preciso escrever. A cabeça gira, gira. Ideias querendo, pela primeira vez desde que me lembro que é primeira, no instante de agora, sair e germinar, que nem plantinha nascida recém. Escrever e não olhar para trás, para revisar a concordância e ortografia. É como se tivesse algo relevante a ser dito. O que flutuava e boiava no mar do juízo, quer tomar forma de letra de máquina.

Deixando Descartes positivista para outras gerações, não dividindo o corpo da mente, parte de mim quer dormir porque sabe que o organismo - momento em que todas as áreas que mantem o consenso dentro de você - pensa que está cansado. As pernas doem, a barriga padece com cólicas. Mas isto quer ser visto, quer se sentir vaidoso. Vaidade advinda das leituras alheias do texto que é seu. Seu até agora, porque outras pessoas são proprietárias dele. Por isso mesmo que não há propriedade no assunto.

Tive hoje a oportunidade de assistir a um filme antes de desabar por dentro ou acordar para dentro. Tive antes, num passado bem ou mal passado, a oportunidade de assistir a outro filme. O primeiro é francês e o segundo, norte-americano. Da nossa visão estereotipada, pode-se concluir, ou achar simplesmente, sem me conhecer, o qual mais apreciei.

Tive a oportunidade, hoje, de me conhecer. Conhecemo-nos os dias todos em que acordamos para fora. Não tenho, no entanto, consciência que isso acontece. Isso acontece e acontece, pronto. Percebi que gosto do filme com mais características humanas; gosto de perceber e sentir, dentro de filme, que há uma máquina operada por homem com mãos e olhos. Vi, isso no francês. Ele me desperta vontade de falar dele – do filme. Câmera na mão. Vi muito e achei lindo. Treme, respira, sem linhas e momentos fixos. Dinâmica do humano ser. Cinema.

Vi uma escola. Não era uma escola comum. Mas não existem escolas comuns - roubei um pouco do que diz Jorge Furtado e bebi na escrita de Paulo Freire. Estruturas as mesmas e não mesmas. Início de uma mudança no ensinar. Percebi um professor que, quando do final do filme, não foi reconhecido. Nenhum de seus alunos disse que aprendeu algo com ele, na disciplina. Citaram professores outros, conhecimentos que não os de sua área. Este era o protagonista. Humano. Contraditório, não-equilibrado. “Chamou duas alunas de vagabundas?”, perguntam à ele. “Pode-se dizer que sim”, diz ele, através de uma legenda que não sei se posso confiar. O fim do filme norte-americano deu-se numa festa, se não me engano, com professores e alunos às lágrimas e às gratidões para com a professora.

Necessidade de fazer-se comunicar e de ser comunicado. Digo, de fazer-se entender. Explica melhor e não me acha mais burro se não compreendo o que é dito. Paciência. Há inovações do ponto de vista da educação. Alunos são ouvidos, ou seja, alguém lhes ouve e responde aos seus questionamentos, comprometendo o tempo da aula. E que tempo é esse, se não para ouvir?Barulho, agonia, irritação, vontade de sair do recinto e de gritar e desistir. Passou para mim, a sensação de inquietação. No seriado Malhação vejo a aula como coadjuvante, como cenário. Ali, na película, assisti à aula, vi o que era discutido. Por que a aula não pode ser interessante e tem de ser apenas o lugar no qual as pessoas se encontram? E por que a televisão não pode veicular uma aula que é aula?

Vi também um professor que se recusa a se equiparar aos alunos. Ele pode, mas os alunos não podem. A diferença da realidade real é que os alunos reivindicam esse poder e estimulam essa defesa. Bases antigas. Expulsão do aluno. Passar o problema para outra instituição. Quem terá a coragem de lidar com o problema? Livra-se.


Sinto, no entanto, que o texto é bobo. Teóricos devem já ter pensado nisso e consequentemente publicado. Mas por que eu não posso adaptar o que sou com o que ouço, já que sou um conjunto de vozes? Reproduzo apenas? Não sei.

A escola dava alguma voz aos alunos. Duas delegadas numa avaliação que culminará na média final de cada aluno. Mesas quase circulares, eram as dos locais das reuniões. Várias mesas retangulares dispostas em um círculo que era quadrado. Era o início da transição do retangular para o círculo perfeito.

Silêncio é sinal de disciplina. A calar, aprendemos desde pequenos. A crer como verdade. Mas perceptivelmente, o barulho diminuiu do começo para o fim do filme. Não houve silêncio total, no entanto. Viu-se que as duas partes tinham algo a dizer e a ouvir.

Precisei parar para pensar e não, pensar para parar. Quando via afirmações deste jeito, não gostava, porque tinha de seguir com o pensamento e desfazê-lo, em seguida. “Primeiro compreenda o processo e depois questione”. Não! Não creio. Compreender e no, processo de compreensão, questionar.

Outra aluna filmática (neologismos mil), perguntava ao professor o por quê de ela estar na escola. Está-se dentro do processo, mas não há a possibilidade de compreendê-lo e saber para que serve. Aprendo, mas não sei para onde vou com essa bagagem. Roupas que não se adequam à ocasião quotidiana. Fala-se de outro jeito e não como quando se conjuga um verbo no pretérito-MAIS-que-perfeito. Perfeito.

O filme não se esgota, desgosta. Gosta da gota do toque. Ou toca, ou não toca, já dizia Clarice. Registro. Percebi que assisto à filme lindos, que tocam e que me abraçam. Mas, pouco tempo depois do abraço, vou atrás de abraços outros, por não lembrar-me da cor e do cheiro desse filmes firmes. Quanto a se dizer! São já muitas horas da manhã escura da noite, mas a cabeça de tonta que é, continua a girar quando da real vida.

Queta

SERVIÇO
Filmes: Entre les Murs, de Laurent Cantet
Escritores da Liberdade, Richard LaGravenese

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

sem foguete

sem retrato e sem bilhete,
sem luar e sem violão



e agora também sem celular

tem dias em que voce sai de casa sem querer, só por ter que sair. mesmo sem foguete, mesmo que
fábio viana
tenha ficado de comprar e tenha esquecido. você sai sem prevê no que o tal mal pressentimento pode dar. no meu caso, antes, o máximo que podia acontecer era perder o humor, mas não a poesia e muito menos os celulares - no último mês já foram três.
ontem foi a segunda vez.

estava indo pro estágio desse jeito meio sem querer e de cara, pego um onibus cheião - pra 'melhorar' as energias. antes de reclamar no pensamento vejo uma cadeirina na parte de trás, ao lado da cobradora - entre ela e a porta, na verdade - sabe como é? vazia. e depois de um tempo vi que ali era um lugar bom de se ir ver. eu me via no vidro, eu via ainda mais a cidade (por uma janelona) e via quem subia e via a cobradora e via até o que não via toda vez que o motorista abria a porta pra alguem novo subir - naquele lugar ja tao cheio, e com isso trazia um vento pelas bandas dos pés. era um vento tao gostoso que batia nos pézotes que eu fui mandar uma sms para minha amiga queta. pra dizer por onde andava...

(com brisa fresca nos pés)

descrevendo essas coisas tin tin por tintin, nao deu tempo de terminar dentro do onibus. entao eu desci "escrevendo" e aí começou a chover e me molhar e molhar o celular, mas eu nao desisti... até que vi dois "maus" elementos do outro lado da rua e resolvi guarda-lo no bolso mesmo sem ter enviado a mensagem e fingi enxugar o óculos na blusa. até que eles vieram ate mim, rindo, com o riso de quem vai fazer uma brincadeira de mau gosto e um deles diz: passa o celular, gatinha. o outro, que ficou do meu lado, vendo que eu pensava um pouco (na verdade ficava num estado de nao acreditar que aquilo tava acontecendo de novo) disse "se nao leva umas facadinhas". pensei entao que não havia nada melhor pra fazer e entreguei (até feliz, por dessa vez ser so isso, o celular que eles queriam). mas nao deu tres segundos pro desengano, de lembrar que o celular era de um malono e que no aparelho estavam as fotos do sun rock, minhas, que so eu tinha e que agora nao tenho mais. nem o vento, nem uma brisa. só a lembrança.

a mensagem que ficara pela metade eu vim aqui entregá-la ao menos!
um cheiro.

Falda

p.s. daqui a pouco é bem capaz d'eu me acostumar a ficar incomunicável mesmo e talvez compre de vez esse foguete!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

bolero lero

O frio era muito. Muito. Ele não aguentou, casaco. Sofá. Era já quase manhã, ele a deixou na porta da casa, nos vemos amanhã. Amanhã. Ela com seu riso de canto, sim, sim, sim. Amanhã.

No claro do dia não se viram. Ela tentava, agoniada, resolver o impasse dorífero de cabeça que o Coréia havia lhe arranjado. Lá aparece ele, com uma camiseta de mangas vermelhas, abraçam-se de braço, ele pergunta se ela jantará. Ela, com vontade de ir, diz que não. O Coréia a fuzilaria com seus olhos metódicos. Mas o motivo ainda não era esse. Ela queria estar tranquila, para conversar tranquilidades e ter tempo para sorrisos e olhos curiosos.

Quis ver a mostra de cinema paraibano. Antes disso, ela cuida do pé, gelo. Abre a porta puxante. Ele está já sentado, com uma cadeira vazia ao lado. Ela rapidamente se senta por ali, ele pergunta se ela sabia que ele estaria ali. Ele estaria no petróleo, ela não sabia, então. Que bom que era ali, o lugar dela. Abraçam-se, assistem ao filme maxabombante. Paraíba e Rio de Janeiro. Engraçado. Retratava a Paraíba de jeito. Paraíba, paraibanos longe da terrinha.

O celular dela toca. Novo, de novo, meninas. O dele toca, pais. Ela toma banho, encontra-o dormindo pronto na casa. Acorda-o, ele tenta escovar os dentes, sem pasta de dentes. Cadê? Ele acha. Escova. Vão culturalizar. Encontra amigos dela, conversa com amigos dele. Assiste a Raul. Show gostoso, músicas conhecidas. Sentam-se num lugar que não sabiam que era proibido, a fita de sinalização estava rompida. Conversam, versam. Candidatos, música, filmes. Seguem para conversar perto da barraca. Ele diz que tem sono muito, preguiça, sentam-se. Cobertor. A outra menina passa e diz que vê sorrisos estampados, destampados.

Painel. Ele vai pontualmente, ela achava pendências no caminho. Bolsas, águas e carimbos que precisam ser entregues. Ele está lá, perto de uma coluna de concreto disfarçado, zinho só. Ela se senta, levanta, senta. Separam-se, ele vai para um círculo, lerear. Era o intensivo dos carimbos.

Almoçam. Entre olham entre eles. Entreolham-se. Ele a vê de cheia boca, ela o vê de boca cheia. Ele se esquece de entregar a bandeja, ela junta a dele à dela. Ele se foi para escovar dentes. Turno, tarde. Hora já tarde. Salas fechadas. Cinema. Consegue-se salas. Estrutura, atraso. Arrombamento. Filmes! Ele senta próximo à escada, depois acham lugar melhor. Ele tira um óculos do bolso. Dum bolso? Dum bolso. Ela sai, volta, sai, volta. Ele cochila, ela cochicha. É a tal da organização. Ele sai para atender o celular. Ele o vê, saindo pela escada da direita, carregando sua bolsa. Não quis deixá-la lá. Ela riu, vendo essa cena. Era um riso carinhoso, cheio de observação. Encontrou-a. Beatles. Beatles. Vamos? Vamos.

Ele chega já pronto às seis e meia em ponto. Ela nem banho conseguiu tomar. Mas ela vê de longe uma blusa preta, um jeito de andar familiar. Corre. Ele anda rápido muito. Ufa! Era ele mesmo. Ele pára para falar com o Coréia. Pede o email. Ela consegue decifrar algum .org. Ele pede para carregar o celular. Ela banho toma, vai para lá. Ele conversa com amigos que viraram vizinhos. O amigo tinha sido expulso no segundo dia deles, de sua casa, dormiu na casa do menino. Beatles. Reunião fica para depois, pelegos. Beatles. Côco, ciranda, cadê os Beatles? E o horário britânico? Mais de meia-noite, os Beatles resolvem dar as caras, ou melhor, as vozes. Inglês. Cansa o show, mas ele não a cansa. Ela canta abraçada à ele, que de vez em quando abre o guarda-chuva pesado. Voltam, carona. Passo apressado, era o banheiro. Dormem.

Ela lembra agora que esqueceu um dia. O dia de antes desse.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Lero Bolero

As meninas passaram uma semana fora das órbitas. Os olhos saltaram, com vida, na ida. A volta estava fora das mentes ocupadas em ser. Dormir fora de casa, comer verduras, dois copos de suco. Acordar com rostos inicialmente não familiares, num colchão cheio de um ar entusiasmado.

Gostavam daquele vento frio, daquele tempo instável, das chuvas que passavam em poucos muitos segundos, do lero bolero. Davam nomes às pessoas e estas penduravam no pescoço algo que as caracterizasse. Eram cores, tamanhos, cheiros, vozes e perguntas vindas dum pais conhecido desconhecido. Varriam as salas com um gosto de começo, com o gosto da utilidade.

Ouviam pensamentos, pensa-mentes. Ouviram rap no dia primeiro. Dia primeiro, dia do vestido mais bonito da mala. Amigos, aperreio de um bar sem fichas para tanta demanda. Uma hora não aguentou, dançou. Sentiu o tom ébrio da música. No outro dia acorda cedo, assiste à rostos desconhecidos. Perde o manual de sobrevivência três vezes. Ela o quer neste momento para lembrar-se dos momentos passados.

Tenta lembrar-se.

Ela adianta o tempo e chega na terça à noite. Noite tranquila, dia de bares e trocos não trocados. Pegou o jeito da matemática, lembrou-se da quarta série. No final, dirigiram-se à casa própria de uma das meninas cacheadas. Conversam num sofá improvisado, saem as meninas, somem. Ela inicia uma conversa com um menino. Menino visto na penumbra, menino silhueta. A conversa estava boa, jornalismo, realidades citadinas. Chega outra menina cacheada, mais conversas, noite fresca, vento no rosto. Pé doído. Doído do para lá, do para cá.

No outro dia, ela acorda com o pé ruim. Estava próxima a um orelhão e o menino do dia anterior lembra-se dela, fala com ela. "Mas era ontem eu, uma silhueta. Hoje sou reconhecida". Sorri no canto da boca. Um "oi" sem intimidade, sem.

Núcleo de experiência improvisado. Vai num ônibus pago, vai num coletivo. Ela vota pelo coletivo, ele pelo pago. Maioria vota no pago. Vamos lá. Ela sobe mancando, senta-se ao lado da outra menina com o nome igual ao seu. Ele senta à esquerda, perto. Ouve as conversas, vira-se. Ela fica com vergonha de responder algo desinteressante, errado, àqueles que buscavam informações acerca da cidade. Permaneceu muda em alguns momentos.

Ela não tinha o costume de olhar nos olhos de desconhecidos. Mas olhou nos dele. Observava-o de longe, procurando sua presença quando ele se fazia distante. Sentava, levantava. Ela assustara a si, olhando muito para os olhos daquele. Era um tanto desajeitada para isso de ver e significar algo.

Voltam do passeio, ele senta nas primeiras cadeiras do ônibus. Ela passa, fica de pé. E o pé? Ai.

Jantam. É noite de ir à festa fora do estilo comum. Ficar feia é fácil. Feia para quem? Combina as roupas com as meninas, pega um colar emprestado. Listras, quadrados e colorido numa pessoa só, que não está sozinha. É carregada inicialmente pela menina, dentro de um carrinho de compras. Depois pelo menino. Ele a carrega com cuidado naqueles paralelepípedos violentos e barulhentos, diferentemente da outra menina, um tanto rápida, querendo o atrito e tremedeira alheia. Começa a chuva. Fria, molhada, silenciosa. Ele a carrega mesmo assim, estaciona, ajuda-a a descer. Sorrisos. Só risos.

A outra menina quer ser carregada pelo asfalto. Ele a carrega, chegam na noite escura clara. A música é prometida apenas para a meia-noite, por gente que chega num carro chamado Opala. Ela come, bebe refrigerante. Ele sai às vezes, e ela o acha sentado, de cigarro na mão. Fica perto.

Sai, passeia, conversa, ri. Aquela noite parece contente naturalmente. Ares tranquilos. Ela dança, diz que não dança, ele diz que não remexe também. Diz que não se vestiria de cafuçu. Ficam perto, tentam uma conversa, puxam assuntos sem importância, para ouvir suas vozes.

Ele diz que ela é tímida, que ele é tímido. Chama-a para uma conversa. Pergunta do seu estado civil de um modo bem afirmativo. Cereja. Agarra-a, ela estremece. Muito tempo olhando, sorrindo em direção ao outro. Olhando os olhos, sem precisar de desculpas.

Sentam. Conversam. Conversam. Em pauta, jornalismo. Grande veículo de comunicação, jornalismo impresso, Chico, Vinicius, Tom, trindade. Barulho, fim de festa. Músicas engraçadas, de um tempo outro.

Vão para perto de dormir. Sentam-se no banco próximo a uma janela de rostos que dormem. Eles fariam barulho e acordariam aqueles que estavam de olhos fechados. Sentam-se noutro lugar. Vento frio. Abraço, beijo. Aquilo fazia a cabeça rodopiar e repetir para si quão gostosas eram aquelas sensações. Foi dali que ela tirou a frase: a gente passa até frio quando a alma está aquecida. Ventinho gelado, mas não queriam sair dali.

É já hora de dormir.

sábado, 17 de julho de 2010

debochando da dor

Já iam elas, fracas
Pequenas, melancólicas, com risos disfarçados
Debochando da dor, com cor, com sabor

Perguntavam-se o por quê de tanto tato, contato
Por que agradar as gentes externas?
Viver para dinheiros, para dois dias numa semana de sete

Viver para vidas que constroem para nós
Sem deixar que nós construamos as nossas próprias
Propriedades

Dormir cedo, acordar cedo, faxina, submissões
Começar vida de gentes já grandes
Universo da universidade está já ficando atrás

O mundo onde o mundo foi aberto
Os olhos que suportam o mundo, tu-dum
São tantas as pessoas, as musgas, os barulhos

Há balões grandões
Para nos puxar
Gravuras e gostos

.

Pavane for a dead Princess

A musga que tocou a menina com a máquina que talvez fosse fotográfica:

http://www.youtube.com/watch?v=h58on_tsU0Y&feature=related

por Queta
Ah, o que é
Por quê?

Decisões, vidas crescidas
Tem já de ser maduras
Mas, por que isso de ter?

Estamos aí, em fases de curas
Em fases de saudades
De querer não reviver
De querer não pensar

Lembranças
Já não lembramos
Lembramos

Criamos planos
Planos de posturas, de ações
Para como num gole, esquecer

Vida vem
Vem vida
Vem ida
Bem vida
Bem vinda

Ah, por que isso de coração?
Existe a mente que pensa, imensa, imersa
Não coração

Há mente traiçoeira
Que entra com memórias
Como um ladrão invadindo - não ocupando
A casa

Foi e não é
Paramos de ouvir música clássica
E de ver gentes engravatadas
Pomos esperanças no setembro

Setembro passará, sem notícias
Mas setembro, apenas desespero
Por afetos, por tetos seguros na casa

Do outro lado da rua alguém volta o olhar seco
Para a casa
E lembra, de forma já quase esquecida, que frequentava
E que era quase tijolo

Ponto final
.
Ponto para bordar e enfeitar
Despedidas são risonhas
Inícios podem ser chorosos


por Queta

quarta-feira, 14 de julho de 2010

um conto cantado

Entre um ano e outro, 365 dias. Neste intervalo, ensaios para o festival que acontece sempre no mês de julho. Ocasião onde se reúnem aprendizes e professores da música e da dança em um só espaço, o cultural. É o grande dia.

Ele, violoncelista e filho de uma grande musicista, apesar de muito novo (19) já estava habituado a rotina orquestra-ensaio-casamentos-apresentações e afins. Ela, com seus vinte anos cravados e apenas alguns meses de aulas de violão, não. Mas gostava dos bastidores, de ver a evolução dos seus amigos e colegas. Fosse para ficar mais perto dele, fosse para tranquilizar uma iniciante um pouco mais corajosa: sua amiga bailarina.

Para legitimar a presença da primeira nas coxias, uma máquina. Sempre que necessário optava por fotografar as apresentações. Dele, principalmente. O músico e seu namorado há mais de dois festivais. Da amiga que baila, seria a primeira vez. Pelo menos em um palco grande como aquele. Por isso, a pequena estava feliz em poder fotografar a apresentação daquela noite. Feliz, mas distante.

As coisas haviam mudado desde o último festival. Ela havia aprendido a fotografar, ganhou uma máquina nova e entrou nas aulas de violão - por incentivo dele. Ele, por sua vez, foi ficando cada vez mais distante. A amiga bailarina havia percebido isso. No grande dia, na última prova de roupas, onde a menina e sua máquina - de tão pequenas, conseguiram passar despercebidas elas conversaram sobre isso. Havia uma violinista de bonitas tranças querendo entrar na história, ela dizia.

No bastidor do primeiro grande momento, se via: a menina estava lá, com câmera e coração nas mãos, ao chorar ao som de * alguma "música de orquestra", observando não a orquestra jovem se apresentar, mas o violoncelista a tocar em total silêncio – para ela. A bailarina, ao se apresentar pouco depois da orquestra sai do palco procurando a amiga. Não a encontra.

Nasce outro dia. O 365º depois desse. Dia de sol. Vê-se um apartamento cheio de fotografias espalhadas pelas paredes, mesas e outros móveis. Lugares bonitos, pessoas de cores, tamanhos e sorrisos bem diferentes uns dos outros. A menina, ainda pequena, mas um tanto mais madura, circula pelo corredor. Pega a chave do carro e sai. O violão fica na sala. Já é noite.

Estão eles, quase todos, mais uma vez na coxia do teatro do espaço (cultural). A bailarina, o violoncelista e os outros já nem tão iniciantes. Entre eles, a violinista. A primeira dá uma espiadinha e vê a plateia, que permanece com uma cadeira vaga logo na primeira fila, a da amiga. Esta atende seu telefone enquanto dirige e diz “estou chegando” com sorriso no rosto. O festival acaba e vemos a bailarina se despedindo do violoncelista e da violinista, que andam de mãos dadas, enquanto liga para alguém.

Vê-se a amiga de costas em uma varanda escura, com o celular na mão, falando: “Não pude, tentei te avisar. Este de agora me beija bem no meio das costas e cozinha só para mim. Nunca tive isso e não pude evitar”. Silêncio. “Entenda, com este eu fico alegre e com vontade de dançar. De uma maneira que violoncelo nenhum conseguiu deixar”. Minutos depois, no escuro da varanda, o celular da “fotógrafa” se acende com uma mensagem de texto que diz: então aproveite, que este é o teu melhor espetáculo.


Falda

quinta-feira, 1 de julho de 2010

zuiu zuiu, zuiu zuiu

buenos, buenas
que sea, que seas
luz del día
dulce
...

guia
pro ano todo

abril abriu o sol de novo
maio nublou
junho choveu
invernoso osso?
osso!

primeiro de julho
será dulce?

até então, saudade

dele, dela
de quando o vinho de praça falava de graça
da volta merecida de quem gostava de passear no banco de tras
beatles em chorinho
bob marley na carona de manhã cedo (muito sol e riso(l))
as melhores ciosas do mundo no cinema (voz e violão)

não quis - não sabe - não viu
não dói importa atormenta não aparece não está aqui,
alice...

lembrei que quando você ficava triste, realmente triste, você vinha aqui nesse lugar do parque. você gostava de ficar aqui
dá pra sentir a paz, você dizia

agora eu to aqui
mas você não
nem a paz



a poesia do dia aos poucos
entre noel e zuiu zuiu
entre chuva e centro
rosa, renata
lira, soraia
alice

querendo
sambar desde já
rua da ladeira, fazer fumaça
o mundo mais largo
olhos atentos
instiga
faxina
retrato em branco em preto - mais um soneto - um dragão - santa chuva - o povo já se cansou - cartola - deixa pra lá - amanha será melhor - roupa de domingo e pode esquecer - que essa vida um dia muda - se a cantiga ja te pega - pata pata - deixa eu dizer - sem retrato e sem bilhete

alguém entende?

uma máquina de escrever na folha da solidão
é só bater pra entrar nessa história
era gutemberg, meu coração se (ergue) ?
país das maravilhas x estranho planeta

with a little help from my friends
acordes acordados, desacordados
garota de ipanema na gaita imaginári@
pegá-lo na saída
* as lembranças são uma prisão?
"a gente não se sente sozinha com uma boa leitura", piauí
esticar os braços sem invadir a liberdade alheia
doendo por duas vezes? logo passa, passa logo!
o mundo tá esperando... as musgas, os filmes, os docs também
* como é que a gente faz para castigar quem não se arrepende?
maxaxi da boa preguiça na falda
do oldo

pra rir um monte
a inveja dos anjos, trupizupi!

e entre tantas
ficar em paz

chorava todo mundo, mas (daqui a pouco) "agora" ninguém chora mais!


é vez de falar da vida, do sol, dos sentimentos
se chover? na sala preta (e zuiu zuiu) !

a gosto
set embro
out ubro
nov embro
dez?

(l)embremos:

"sorriso custa menos que eletricidade e dá mais luz"


(:


falda

terça-feira, 25 de maio de 2010

céu azualado

sabe, menina

essa dor infinita, esse fim que não sentimos

a porta de saída foi posta no caminho e nós, que a queremos bem fechada - trancada, na verdade - somos obrigadas a nos adaptar com a brisa fria
adaptar porque não há opção, a não ser entrar num colapso

é aí que entra o consolo a si
você pensa que fez o que pôde para dar certo, que ele é o problema, que ele te perdeu

vem a agonia, angústia, desespero de sentir-se longe e não mais parte

quando você abre o guarda-roupa, você o vê
quando você chega a um lugar, você lembra dos momentinhos gostosos que tiveram
uma música, ele, uma palavra, ele
um nome da rua que é o dele

e, de repente, ele aparece
esse é mais dolorido, que ferida magoada no móvel

a proximidade agora é distância, é não portar-se com naturalidade
as guardas se levantaram, outra vez

acho que nós, meninas, não gelamos ainda o coração
creio que somos ainda otimistas, que esperamos mais
porque podemos ter mais - a questão não é ter
é aproximar

podemos aproximar mais pessoas
pessoas que podem até nos fazer melhor
que podem se encaixar melhor conosco

o mundo anda nublado e quieto
as ruas estão molhadas das nossas lágrimas

mas o sol chega
chega sol mais

os primeiros dias são inconformados
entram os filmes, entram situações diferentes
entra você, novamente, no mundo

um mundo português, inglês, francês
o mundo de novos caminhos para casa
o mundo de vozes novas a escutar

um recomeço, um reinício que se molda
aos olhos cansados e ao corpo fraco
quando você menos espera o corpo juvenil te dá resposta
e te dá gargalhadas

você ri com mais naturalidade, e agora, com mais espaço!
abre os braços, liberdade


estou aqui, nem que seja pelas palavras...

queta

tem sempre o céu azul lá fora‏

nova pancada, novo estouro
chateia, entristece de novo
busco compreender e me atrapalho novamente
mas de novo?

cada um tem o tem o direito de querer entender melhor os seus próprios sentimentos, por si mesmo e pelas outras pessoas
questionar o porque de estar com alguém e se é realmente isso que quer
entendo... entendo tudo e ao mesmo tempo não entendo nada.

nada, porque é difícil lidar com isso
uma atitude, que machuca mais do que deveria, tomada de sopetão e sem maiores avisos
achava que conseguiria sentir e perceber a tempo, para me preparar... mas não deu: havia entrado na montanha russa eterna (sem seguro)

ou mais (ou menos?) do que isso.
o que mais chateia é a possibilidade de ficarem marcas. de ficar azeda, com medo, com receio de acreditar - de dividir alegrias e tristezas com alguém, de novo. uma menina bem lembrou: "não importa o quanto a gente já tenha sofrido em outras situações, cada dor parece inédita".

e eu lembrei
de outra dor. diferente e igual. aquela... de se doar e não dar conta do fim chegando. e ir se anestesiando.
ao mesmo tempo, sei que situações que decepcionam fazem crescer. ainda mais quando vem outra e outra e outra. achei que talvez estivesse mais preparada para aguentar esses solavancos.

no começo a gente leva na brincadeira e no receio. aos poucos vai abrindo os braços, os abraços, dando crédito e afeto. até que, de repente, pode se sentir completa - as vezes até feliz, ao lado de alguém
não completa no sentido de uma pecinha de quebra-cabeça, mas de algo que funciona. perceber que, mesmo com o mundo desabando, voce pode estar ao lado de alguem e não sentir falta de você sozinha.
sabe como é? achar que ao lado dele pode ser voce inteira.
sem tem que tirar nem pôr

interna: o pé da pitanga não precisou ser podado, entende?
baixar guarda - que havia levantado, com muito choro e esforço durante meses. difícil acreditar, se doar de novo.
e de repente, pra variar
quebrar a cara
de novo!

um pessoa que de sopetão...
da mesma maneira que chega, vai embora
ainda fica um tempo bom, que deixa um bocado de coisas boas para lembrar. mas que indo embora dessa maneira, deixa bater na porta a fraqueza e chateação - de pensar que a outra pessoa não tem idéia de como você ficou depois da partida. acho triste perceber que ao mesmo tempo que para um, decidir se sabe ou não sabe, se quer e porque quer estar e continuar com o outro, é coisa rápida. para o outro, aprender a ficar sem a presença/companhia/afeto de sopetão, não.

mesmo assim, não há motivos para desepero, nem nada. só uma certa dor que a gente vai se acostumando e amenizando a cada dia que passa. há também o consolo - que de consolo não tem nada, de que a maioria das pessoas vai passar por isso um dia. inclusive os que já nos machucaram. talvez no dia que isso acontecer eles, enfim, entendam melhor e aprendam a ter cuidado com os outros. para não machucar, ou machucar o mínimo possível

enquanto isso a gente tenta
mesmo nao sendo doce - por que uma hora cansa segurar a barra
vai fazer o que?
desistir?

chego até a sentir uma espécie de certeza, que as coisas vão dar certo, que este momento agora é de crescer, fortalecer as pernas para andar por aí...
ao mesmo tempo vejo que fica cada vez mais difícil aguentar esses sustos, essas peças nada divertidas. ficamos sem lugar
"não existe lugar para gente triste nos comerciais de tv"?
nem em canto nenhum. por isso, as vezes agarramos nossa dor, como um cachorro agarra seu osso

resuçtado de quando duas pessoas querem coisas diferentes.
e quando acaba é difícil despedir.

escuto as musicas, volto a ler os livros
além disso, espero que possamos - falda e queta - voltar a pedalar novamente admirando o céu, por aí

afinal, tem sempre o céu azul lá fora

.


falda

sexta-feira, 14 de maio de 2010

pi-praí

uma piauí alí para ler
livros e músicas espalhados pelo quarto, pelo ar
grafia, fotos e figuras marcando espaços e momentos
duas meninas, duas bicicletas paradas

duas bocas tagarelando
porque tagarelar é bom e esquenta os dias e as noites

manhãs do mês primeiro,
tardes de nostalgia em fevereiro - que deviam ser da carne em folia
março abril e maio voando... nesse meio tempos, bancos!

do ônibus em manhãs quentinhas ou chuvosas, no caminho para a universidade
no fim do dia, o batente que não é banco (mas serve) do prédio da menina dos ólhos d'áqua
conversas e silêncios comjuntos, com eme mesmo, pra gente seguir com a vida

e a gente segue
com algumas páginas que às vezes não passam
porque ficamos pensando demais, em quem não pensou muito na gente
as músicas que alegram nessas horas não tocam
e em tantas quanto for possível procuramos vestígios de uma fase que já passou

ah, também queria mandar um travesseiro de plumas para ela
por enquanto dividimos bancos, conversas, barras de cereal, sorvetecerveja, uma visão de chuva e muito mais...
e muito mais de muito de menos também
de coisas pequenas, de coisas grandes
lamúrios P M e G

por enquanto é a vez de um de menos, veja só!
o choro engolido, o fim esquecido e a história retomada
no banco de trás a queta, querendo passear e tagarelar
do lado esquerdo, um tambor

aqui dentro,
liquidificador.
liquidifica a dor
liquidifica, fica
a dor

Falda.
(liquidificada)

por enquanto é assim, mas já já a gente aprende

bom fim de finde!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Hoje é um tanto de abril
Um tanto mais de dias
Um tanto mais dias

Começo aqui com certo atraso
E quem define o que é atraso?
Atraso é um traço
De personalidade
De grafite, de caneta
Risco, rabisco
Mancha, nódoa

O assunto de atrás
Ficou já atrasado
Chego devagarinho

Devagarinho divago
Começo aqui
Aqui será começo

O espaços em branco serão
Preenchidos, pelo menos, do lado esquerdo

Começo e o ponto que é final, é inicial
Ponto, pronto
Pontuei

Queta

sábado, 17 de abril de 2010

"Que seja doce... doce doce doce doce doce doce"

não se sabe quando começa

uma amizade, um amor, uma poesia, um texto
umas férias, um blog
de supetão, eles ou elas estão lá - na sua vida
para colorir ou desbotar

não se sabe como
mas uma coisa curiosa chamada encontro
de idéias, cores
sabores sentimentos e poesia
acontece
de maneiras e maneiras milhares de maneiras
que a gente só percebe depois
quando ele acaba ou cresce rápido demais
e thanram! você nem esperava
e quase não percebeu

pensar a respeito, pensar no porque
eu diria que só com o tempo e o vento
que trazem coisas ruins e coisas boas

(como os encontros)

mas não quero ser injusta e esquecer das conversas miúdas
sobre filmes preto e branco, quadrinhos argentinos, formigas no outono e dragões voando pela cidade: assuntos assim, meio misturados, meio pequenos, meio bobos, meio sem saber
porque com essas conversas você também pensa e sente e descobre
que você muda e vive e segue em frente na base dos encontros
e dos desencontros, também
por que não?

hoje, eu penso e sinto muita coisa
a maioria ainda não sei verbalizar
organizar em palavras, que seja
mas vejam só!
no meio do caminho,
em joão pessoa, em fortaleza
andando de bicicleta, pegando sol
tomando sorvete e cerveja
vendo os dias passar de maneira mais colorida
em alguns momentos, até cinzenta
eu conheci uma menina que tem andado comigo pelos dias e pelas noites
falando da vida e das formigas
vendo dragões, gatos e cachorros pelos cantos
pensando poesias
vivendo no ar, no chão, no sol e nas nuvens
um balançar de rede, um fazer pensado-escrito
tudo e nada ao mesmo tempo
!

chama-se queta
é para ela que faço esse blog
um lugar para cheirar a alecrim hortelã alecrim hortelã alecria
um lugar para sorrir e sofrer através de palavrinhas palavrões pralavar
escritas virtualmente, para quem quiser ver
ou apenas para nós que queremos escrever


com carinho açúcar e afeto


falda.