terça-feira, 25 de maio de 2010

céu azualado

sabe, menina

essa dor infinita, esse fim que não sentimos

a porta de saída foi posta no caminho e nós, que a queremos bem fechada - trancada, na verdade - somos obrigadas a nos adaptar com a brisa fria
adaptar porque não há opção, a não ser entrar num colapso

é aí que entra o consolo a si
você pensa que fez o que pôde para dar certo, que ele é o problema, que ele te perdeu

vem a agonia, angústia, desespero de sentir-se longe e não mais parte

quando você abre o guarda-roupa, você o vê
quando você chega a um lugar, você lembra dos momentinhos gostosos que tiveram
uma música, ele, uma palavra, ele
um nome da rua que é o dele

e, de repente, ele aparece
esse é mais dolorido, que ferida magoada no móvel

a proximidade agora é distância, é não portar-se com naturalidade
as guardas se levantaram, outra vez

acho que nós, meninas, não gelamos ainda o coração
creio que somos ainda otimistas, que esperamos mais
porque podemos ter mais - a questão não é ter
é aproximar

podemos aproximar mais pessoas
pessoas que podem até nos fazer melhor
que podem se encaixar melhor conosco

o mundo anda nublado e quieto
as ruas estão molhadas das nossas lágrimas

mas o sol chega
chega sol mais

os primeiros dias são inconformados
entram os filmes, entram situações diferentes
entra você, novamente, no mundo

um mundo português, inglês, francês
o mundo de novos caminhos para casa
o mundo de vozes novas a escutar

um recomeço, um reinício que se molda
aos olhos cansados e ao corpo fraco
quando você menos espera o corpo juvenil te dá resposta
e te dá gargalhadas

você ri com mais naturalidade, e agora, com mais espaço!
abre os braços, liberdade


estou aqui, nem que seja pelas palavras...

queta

Nenhum comentário:

Postar um comentário