sabe, menina
essa dor infinita, esse fim que não sentimos
a porta de saída foi posta no caminho e nós, que a queremos bem fechada - trancada, na verdade - somos obrigadas a nos adaptar com a brisa fria
adaptar porque não há opção, a não ser entrar num colapso
é aí que entra o consolo a si
você pensa que fez o que pôde para dar certo, que ele é o problema, que ele te perdeu
vem a agonia, angústia, desespero de sentir-se longe e não mais parte
quando você abre o guarda-roupa, você o vê
quando você chega a um lugar, você lembra dos momentinhos gostosos que tiveram
uma música, ele, uma palavra, ele
um nome da rua que é o dele
e, de repente, ele aparece
esse é mais dolorido, que ferida magoada no móvel
a proximidade agora é distância, é não portar-se com naturalidade
as guardas se levantaram, outra vez
acho que nós, meninas, não gelamos ainda o coração
creio que somos ainda otimistas, que esperamos mais
porque podemos ter mais - a questão não é ter
é aproximar
podemos aproximar mais pessoas
pessoas que podem até nos fazer melhor
que podem se encaixar melhor conosco
o mundo anda nublado e quieto
as ruas estão molhadas das nossas lágrimas
mas o sol chega
chega sol mais
os primeiros dias são inconformados
entram os filmes, entram situações diferentes
entra você, novamente, no mundo
um mundo português, inglês, francês
o mundo de novos caminhos para casa
o mundo de vozes novas a escutar
um recomeço, um reinício que se molda
aos olhos cansados e ao corpo fraco
quando você menos espera o corpo juvenil te dá resposta
e te dá gargalhadas
você ri com mais naturalidade, e agora, com mais espaço!
abre os braços, liberdade
estou aqui, nem que seja pelas palavras...
queta
terça-feira, 25 de maio de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário