Dividir histórias, memórias, momentos - bons e ruins, sonhos, tristezas e risos. É fazer planos, é dançar cantando, é andar pulando é viver tentando fazer com que os momentos em "comjunto" sejam os melhores.
É, por exemplo, rir solto - achando que não pode haver melhor sensação de bem estar no mundo. De ter encontrado um bom lugar e boas companhias para dividir as impressões que la (Dulce?) vita nos deixa. É a vontade de se vingar dos meninos ruins/malvados sendo cada vez melhores. É desejar ser canalha, ao invés de perdigueira, de vez em quando.

Amizade é se emocionar de madrugada, morrendo de sono, enquanto vê um vídeo de Janis Joplin que a amiga mandou. É querer ser Gal Costa e convidar a outra pra ser Bethânia. É querer ser menina, mas é também querer ser grande, forte e independente das pessoas e das tristezas que tentam nos pegar em cada esquina.
É imaginar-se em fotos em preto e branco, com o charme da época e das pessoas retratadas, como se fossemos daquele jeito e com aquele espírito. É ver-se nos vídeos noturnos de 67, gritando para os chicos e caetanos novos, com violas partidas ao meio e jogadas no público vaiador ou pedidas por Edu Lobo, para cantar.
Porque não? Alegria, alegria! Amizade é gritar pelo e para o que se gosta, com óculos maiores, sorrisos melhores e lenços nos cabelos sem documentos.
É não esquecer quem é sua vizinha de bairro, coração de bairro, primeira. É não esquecer os puxões, de estímulo e de orelha; não esquecer o caderninho de páginas coloridas e principalmente do céu azul cheio de nuvens de janeiro. As conversas de banco e de ônibus. O sófalar, o “vempracá” e a companhia no banco de trás do carro nos passeios musicais noturnos.
É conhecer uma nova menina, de outro bairro amigo, com uma laje ainda desconhecida, mas desde já bem querida. É dançar coco, ao som de forró, nos trilhos do trem. É prezar pelo consenso na hora de comprar o pipos, de ver os shows, os filmes, os paqueras e até as ruas pelas quais voltaremos pra casa. É perder os celulares, mas recuperar o humor antes deles voltarem.
É andar de ônibus, de balsa e de alternativo – ao invés de trem – aproveitando a vista e planejando a viagem pra Bolívia. É transportar as vontades através de cada transporte. É vontade de aprender a fotografar só para pegar um trem com destino a cabedelo e ao forte velho, tão novo. É a vontade de pegar um ônibus, com destino ao centro histórico e poder finalmente explorar lugares, que nos agradam, ao redor dos trilhos, perto do rio. É guardar os dinheiros pensando no avião que nos carregará pros países vizinhos.
É querer fantasiar a outra – de Janis, de Colombina, de Pin Up, de Doces Bárbaros ou Mutantes com um coração desenhado embaixo do olho - só por brincadeira, só por cartografia do riso, de fantasiar um ensaio fotoengraçado. É promessa de morar junto em Recife ou qualquer lugar que nos agrade, além das promessas de karaokê na Lagoa, de vida ida pro sertão e pros sítios dos avôs dos amigos maiores e por aí vai...
É desejar algo maior, algo melhor, que nos satisfaça de algum jeito. Que nos traga sentido, energia, calor e amor, se existir esse bichinho. É fechar os olhos e ver algo melhor, sentir que chega a nossa hora. Um dia, nosso carnaval pelas ladeiras, com o bloco posto na rua ladeira à cima e abaixo... e a folia a nos bater os dias.

É querer cantar, remexer, rebolar, fantasiar, criar, escrever, poetizar, esperar, achar, pensar e repensar até cansar pra descansar e começar tudo de novo. Lembrar-se dos dias bons e esperar com ansiedade pelos próximos, contando com bons papos, boa música e uma animação própria de meninas pequenas espevitadas que pulam feito pipoca e correm de mãos dadas por ai. Sem esquecer, é claro, do valor das outras companhias de gente, bebidas-cervejas! e objetos que nos dão bom dia – livros e canecas, bicicletas...
E principalmente das cores, seja pra pintar os lábios ou pintar o céu da nossa imaginação azulamareloesverdeada!

Um beijo roxolilás pras senhor@s (isa-queta e cybele-fellini) ;*!
falda

(:
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