quarta-feira, 15 de setembro de 2010

sem foguete

sem retrato e sem bilhete,
sem luar e sem violão



e agora também sem celular

tem dias em que voce sai de casa sem querer, só por ter que sair. mesmo sem foguete, mesmo que
fábio viana
tenha ficado de comprar e tenha esquecido. você sai sem prevê no que o tal mal pressentimento pode dar. no meu caso, antes, o máximo que podia acontecer era perder o humor, mas não a poesia e muito menos os celulares - no último mês já foram três.
ontem foi a segunda vez.

estava indo pro estágio desse jeito meio sem querer e de cara, pego um onibus cheião - pra 'melhorar' as energias. antes de reclamar no pensamento vejo uma cadeirina na parte de trás, ao lado da cobradora - entre ela e a porta, na verdade - sabe como é? vazia. e depois de um tempo vi que ali era um lugar bom de se ir ver. eu me via no vidro, eu via ainda mais a cidade (por uma janelona) e via quem subia e via a cobradora e via até o que não via toda vez que o motorista abria a porta pra alguem novo subir - naquele lugar ja tao cheio, e com isso trazia um vento pelas bandas dos pés. era um vento tao gostoso que batia nos pézotes que eu fui mandar uma sms para minha amiga queta. pra dizer por onde andava...

(com brisa fresca nos pés)

descrevendo essas coisas tin tin por tintin, nao deu tempo de terminar dentro do onibus. entao eu desci "escrevendo" e aí começou a chover e me molhar e molhar o celular, mas eu nao desisti... até que vi dois "maus" elementos do outro lado da rua e resolvi guarda-lo no bolso mesmo sem ter enviado a mensagem e fingi enxugar o óculos na blusa. até que eles vieram ate mim, rindo, com o riso de quem vai fazer uma brincadeira de mau gosto e um deles diz: passa o celular, gatinha. o outro, que ficou do meu lado, vendo que eu pensava um pouco (na verdade ficava num estado de nao acreditar que aquilo tava acontecendo de novo) disse "se nao leva umas facadinhas". pensei entao que não havia nada melhor pra fazer e entreguei (até feliz, por dessa vez ser so isso, o celular que eles queriam). mas nao deu tres segundos pro desengano, de lembrar que o celular era de um malono e que no aparelho estavam as fotos do sun rock, minhas, que so eu tinha e que agora nao tenho mais. nem o vento, nem uma brisa. só a lembrança.

a mensagem que ficara pela metade eu vim aqui entregá-la ao menos!
um cheiro.

Falda

p.s. daqui a pouco é bem capaz d'eu me acostumar a ficar incomunicável mesmo e talvez compre de vez esse foguete!

Um comentário:

  1. e vida e vida
    de ida, de ida
    sem volta, sem volta

    e o que fica é lembrança má, boa, cheirosa e ruim. contraditórias, loucas, agoniadas

    ResponderExcluir